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Entrevista com Marcelo Oliveira do INdT

Publicado por Tutoriais Admin em 16/08/2009 - 1.610 visualizações


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Marcelo Eduardo M. de Oliveira é Business Development Consultant do Instituto Nokia de Tecnologia (INdT). Atuando há 6 anos com multimídia, criação e desenvolvimento de interfaces de usuários em empresas como a Agência Click e a Globo.com é especialista em client-side development. No Instituto Nokia de Tecnlogia participou de projetos de jogos e aplicações multimídia voltados para celulares NOKIA nas plataformas symbian e J2me, de pesquisas e criação de processos de desenvolvimento de jogos para celulares. Atualmente, como consultor de desenvolvimento de negócios, tem criado projetos para disseminar a plataforma Nokia. É Palestrante dos principais eventos nacionais de TI: Justjava, BrasilOne, Maratona4java, além de ser colaborador das revistas Mundo Java e Web Mobile. Nas horas vagas se dedica a Gomo, estúdio de criação de jogos para celulares.


1. Conte-nos um pouco sobre você e sua função no Instituto Nokia de Tecnologia.
Trabalhei por 1 ano e meio no time de software. Minhas principais atividades eram relacionadas a J2ME. Mais especificamente conhecer a plataforma nokia de desenvolvimento para J2ME e disseminar esse conhecimento para comunidade, em forma de palestras, artigos, papers. Também participei de projetos em Symbian, trabalhando na minha especialidade na época que era GUI (graphical User Interface) programming. Como meu perfil me levava para o lado do entretenimento também participei dos projetos relacionados a jogos mobile do instituto, produzindo também material e conhecimento para ajudar e incentivar os desenvolvedores no Brasil. Hoje estou no time de novos negócios assumindo a posição de Consultor de novos negócios, mas meu papel principal está sendo o relacionamento com a comunidade de desenvolvedores, onde procuro criar projetos para auxiliar ainda mais a comunidade de desenvolvimento para dispositivos móveis no Brasil nas plataformas Nokia.

2. Como estão as oportunidades de negócios para empresas no mundo móvel?
Existe uma expectativa muito grande quanto a esse assunto, e eu sinto que muitas empresas estão apenas esperando um " verdadeiro " e chamativo caso de sucesso para se entregarem de vez ao mundo móvel. Minha opinião é que algumas empresas estão bem a frente e já têm produtos excelentes, clientes satisfeitos e a tendência agora é que outras empresas sigam o exemplo. Quanto a oportunidades:
  • 1) vejo a serie 80 da Nokia (Communicator) um bom filão para o ano que vem. A demanda por softwares, tanto em Java como desenvolvidos nativamente, já surgiu.
  • 2) Series 40 ou Aparelhos de preços médio para alto:
    • a) a) Continuamos vendo jogos (para o Brasil jogos nacionalizados com extrema qualidade, jogos com conteúdo local ou mesmo marketing games) como uma boa área a ser explorada, mas que pede enorme atenção, devido ao custo de desenvolvimento e a necessidade de se atingir um grande número de aparelhos diferentes.
    • b) b) Ringtones, Temas e serviços de valor agregado voltados para comunidades (como sites de relacionamento, jogos multiplayers via SMS ou via J2me) também têm se mostrado interessantes no ano de 2004 e a tendência é crescer em 2005.
    • c) Simples aplicações comerciais cliente-servidor: Força tarefa, Agenda e controle, Controle de pedidos já se mostram extremamente viáveis e com atrativos enormes para empresas (sai: palms e pockets pcs caríssimos, entram telefones com preço abaixo dos 600 reais)
  • 3) series 60: smartphones: Esses telefones top de linha, oferecem a possibilidade de criação de aplicativos super complexos e também podem ser bastante explorados no futuro. Exemplos importantes que eu incluiria: controle remoto de aplicativos no pc, possibilidade de acesso (via VPN) a rede e a e-mails corporativos, Sistemas de controle de ponto, leitores de código de barra ou de contadores sem necessidade de hardware adicional, controles de automação domestica entre outros.

3. O que você diz sobre os dispositivos e as fabricantes? Estão fazendo o seu trabalho? Poderiam dar um apoio maior ou evoluir mais rapidamente?
Eu acho que os outros fabricantes poderiam dar sim um apoio diferenciado e disponibilizar mais facilmente os recursos que são indispensáveis para os desenvolvedores.
No fundo quem perde são eles. Plataformas com performance excelente, documentação clara e concisa, SDKs gratuitos e bem documentados resultam em um universo de aplicações que tornam os aparelhos cada vez mais atrativos, ou seja acabam vendendo ainda mais.

4. Quais os benefícios de se trabalhar para uma grande empresa como a Nokia? Um profissional do mercado poderia sonhar em um dia trabalhar para a Nokia?
Os benefícios maiores, ao contrário do que as pessoas imaginam não são os monetários e sim os pessoais. Você tem a oportunidade de se envolver em projetos que estão à frente de seu tempo, trabalha geralmente com as últimas novidades e tecnologias, tem ao seu dispor uma excelente estrutura de treinamento e knowledge transfer e sem dúvida nenhuma o principal: vai ter muita gente boa ao seu lado para te ensinar algo novo todos os dias.
Quanto a um profissional sonhar em trabalhar na Nokia, na Siemens ou em qualquer outra empresa: Nem precisa sonhar, basta suar muito se dedicar a sua área de interesse e com certeza terá espaço. Empresas grandes estão sempre procurando pessoas que tenham nitidamente uma capacidade de aprender e de somar. Posso falar por experiência própria: entrei na pesquisa da Nokia sem nunca ter tocado em um SDK para celulares, e quando perguntei ao meu gerente na época o porquê de ter sido contratado ele respondeu " temos o costume de contratar acreditando no talento. Acreditamos, damos treinamentos e vamos lapidando o profissional que precisamos. "

5. Como o Java está sendo utilizado no mercado? A procura é maior por java ou por outras tecnologias? 6. Na sua opinião, já está na hora de desenvolver sistemas com MIDP 2?
Java como era de se esperar tem tido e vai ter ainda mais uma abrangência enorme no mercado. Só a Nokia no ano de 2005 vai colocar no mercado 100 milhões de aparelhos rodando java.
A única tecnologia que realmente é uma concorrente da java é o Brew. Apesar de um modelo de negócio muito mais interessante para as operadoras, mais seguro e confiável para os desenvolvedores, seu formato fechado e proprietário acaba deixando o mesmo para trás. Acreditamos muito no Java e no padrão MIDP 2.0, mas por enquanto para o Brasil eu diria que MIDP 2 como base de desenvolvimento para aplicações para grande público ainda é inviável. O alvo ainda é MIDP 1.0 no Brasil.

7. Você acredita que o RMS é o modelo ideal para persistência de dados nos aparelhos?
Não. Além de limitado ele trás algumas outras complicações para o desenvolvimento sério. Felizmente a jsr 75 vem sanar esse problema. Claro que o RMS teve um motivo para ser limitado e vai continuar existindo ainda nos aparelhos " low end " (mais baratos) mas com a evolução dos aparelhos cada vez mais rápida, poderemos ter aparelhos com a jsr 75 no " mid-range " (preços médios) logo logo.

8. Quais são as perspectivas para o desenvolvimento de jogos em celulares?
O mercado está em vias de solidificação. Algumas análises de grupos importantes como Gartner e YAC, mostram que só em 2004 quase se atingiu a cifra de 1 bi em jogos, mas 80 % dessa quantia foram em apenas 2 países (Japão e coréia). Isso mostra o potencial do mercado, e com a massificação de aparelhos com tela colorida e java o mercado vai atingir níveis ainda maiores.
Outro forte indicativo disso são grandes empresas comprando ou assumindo o controle das principais houses de mobile games do mercado. Ubisoftware investiu na Gameloft, Digital Chocolate comprou a Sumea e busca agora uma empresa na Asia e o interesse da Sony em comprar uma house para o desenvolvimento de produtos alinhados com a Sony pictures mostra a evolução do mercado.
Quanto ao Brasil, posso dizer que a melhor hora de entrar nesse trem já passou, mas ainda existem filões a serem explorados. Advergames para celulares, jogos tipicamente nacionais, internacionalização de jogos são bons exemplos.

9. O que você acha das especificações para J2ME atuais, gostaria de mudar ou incluir alguma coisa?
Acho que o problema maior está nos implementadores das especificações nos fabricantes. Muitas vezes o time recebe uma tarefa " implemente a game API, aqui estão os requisitos ". A chance do time trabalhar perfeitamente e produzir uma API totalmente compatível é quase total, mas não necessariamente quer dizer que o time vai produzir a API com a melhor performance possível naquele aparelho.
Isso aconteceu realmente com a GAME API em alguns aparelhos. Implementações nativas de tiledLayers e layers são até 30 % mais lentas do que implementações feitas por profissionais especializados em jogos. Eu gostaria que todos os fabricantes tivessem reais programadores de jogos produzindo pelo menos a GAME API, e que o JCP tivesse incluído (como opcionais) algumas coisas indispensáveis como:
  • SPRITES: rotação real de sprites (não somente nos ângulos estipulados hoje), redimensionamento de sprites em tempo real
  • TILEDLAYERs: Sloppy tiles (tiles com formato de rampas, com colisões diferenciadas), Layer de Tiles isométricos
  • Layers: z-index por sprites (simplificado e otimizado claro) APIs de multiplayer gaming over BT e GPRS no cliente, também com protocolos otimizados de preferência binários e não textuais (xml, etc)
  • SOM: suporte para sons de background e efeitos simultaneamente

Claro que tenho a noção que algumas dessas funcionalidades seriam impossíveis em aparelhos low end, mas não impediria de serem tratadas como opcionais para os aparelhos que claramente são direcionados ao público de jogadores.

10. Os aparelhos tem evoluído muito ultimamente, você acredita que eles continuarão suportando CLDC ou partirão para o CDC?
Eu acredito numa convergência, mas não sei se ela está próxima. Ainda temos muitos anos de aparelhos " low end " pela frente, e aguardo muito mais ansioso o java em todos os aparelhos desde os mais baratos aos mais caros, do que a evolução para o CDC. Acho que o CLDC 1.1 + as APIs que estão sendo finalizadas já forma uma excelente plataforma.

11. Como anda a chamada " write once, run anywhere " em J2ME?
Continua sendo " Write once, debug anywhere ". =) De novo voltamos as implementações que as empresas estão fazendo de alguma forma elas tentam sempre adicionar algo que as diferencie dos outros fabricantes. Juntando a isso o fato de todas os fabricantes de celulares estarem mais preocupadas com o " time to market " de seus aparelhos do que com a qualidade do mesmo, temos um panorama muito fragmentado do desenvolvimento de software hoje, deixando o trabalho sujo de colocar nossos aplicativos para rodar em múltiplos fabricantes todo nas nossas mãos.

12. O que você faz em seu tempo livre?
Quando não estou com minha mais do que paciente namorada, gosto de jogar (Counter strike, GTA, Halo, PoP), de patins in line (já fui bom nisso!), gosto muito de ler e brincar com programação de jogos e claro sair com os amigos pra desligar um pouco desse mundo todo!

Entrevistado
Marcelo Eduardo M. de Oliveira
Business Development Consultant
Senior Mobile Applications Developer
INDT - Instituto Nokia de Tecnologia
NOKIA ' s Technology Institute


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